Revisão de rescisão contratual: como verificar se todos os valores da demissão foram pagos corretamente

Quando ocorre a demissão de um empregado CLT, é comum surgir a dúvida: será que todos os valores da rescisão foram pagos corretamente? 

A revisão de rescisão contratual consiste justamente em conferir se as verbas rescisórias previstas na CLT foram calculadas de forma adequada. 

Em demissões sem justa causa, por exemplo, erros em horas extras, FGTS ou férias podem gerar diferenças. 

Cada caso deve ser analisado com base nos documentos. Neste artigo, você vai entender como fazer essa verificação.

O que é a revisão de rescisão contratual segundo a CLT?

A revisão de rescisão contratual é a análise dos valores pagos ao trabalhador no momento da demissão para verificar se todas as verbas rescisórias previstas na CLT foram calculadas corretamente.

Esse procedimento envolve conferir documentos como termo de rescisão, holerites, extrato do FGTS e registros da jornada. O objetivo é identificar possíveis diferenças de pagamento ou parcelas que não foram incluídas no cálculo.

Em muitos casos, o trabalhador recebe os valores da rescisão sem conseguir avaliar se os cálculos estão corretos, principalmente quando existem horas extras, adicionais ou variações na jornada de trabalho.

A legislação trabalhista determina quais valores devem ser pagos no encerramento do contrato. 

Quando há erro de cálculo ou ausência de alguma verba, pode existir diferença a ser apurada.

Por isso, a revisão da rescisão busca verificar se o pagamento seguiu o que a legislação prevê. 

Ainda assim, cada situação precisa ser analisada individualmente, considerando os documentos e as características do vínculo de trabalho.

O que são verbas rescisórias?

As verbas rescisórias são os valores que o trabalhador deve receber quando o contrato de trabalho é encerrado. 

Esses pagamentos existem para quitar direitos acumulados durante o período de trabalho e estão previstos na legislação trabalhista.

Entre os principais valores que costumam compor a rescisão estão:

  • Saldo de salário – pagamento pelos dias trabalhados no mês da demissão.
  • Aviso prévio – período de aviso que pode ser trabalhado ou indenizado pela empresa.
  • Férias vencidas – férias que já deveriam ter sido concedidas, mas ainda não foram usufruídas.
  • Férias proporcionais – cálculo referente ao período trabalhado no último ano aquisitivo.
  • 13º salário proporcional – valor correspondente aos meses trabalhados no ano da demissão.
  • Multa de 40% do FGTS – adicional pago quando ocorrer demissão sem justa causa, calculado sobre os depósitos do fundo.

Dependendo da situação do trabalhador, também podem existir reflexos de horas extras, adicionais ou outras parcelas que influenciam o cálculo final da rescisão.

Base legal da rescisão contratual

A rescisão do contrato de trabalho é regulamentada por diversas normas do Direito do Trabalho, que determinam quais valores devem ser pagos e em quais situações.

Entre as principais bases legais estão:

  • CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) – estabelece as regras gerais do contrato de trabalho e das verbas rescisórias.
  • Constituição Federal – Artigo 7º – garante direitos fundamentais dos trabalhadores, como férias, 13º salário e FGTS.
  • Lei do FGTS – regula os depósitos do fundo e a multa de 40% nos casos de demissão sem justa causa.

Essas normas definem quais direitos o trabalhador possui no momento do encerramento do vínculo e servem como referência para verificar se os valores pagos estão corretos.

Diferença entre rescisão correta e rescisão com erro

Nem sempre os valores apresentados no termo de rescisão refletem exatamente o que deveria ter sido pago. 

Em algumas situações, erros de cálculo ou a ausência de determinadas parcelas podem gerar diferenças.

Situação O que a lei prevê Sinal de erro Possível consequência
Demissão sem justa causa Pagamento completo das verbas valores menores diferença a receber
Horas extras ignoradas integração nas verbas cálculo incompleto reflexos salariais
FGTS incompleto depósito obrigatório extrato com falhas multa maior

Quando horas extras não são consideradas no cálculo, por exemplo, isso pode afetar férias, 13º salário e até o valor do FGTS. 

Cada caso, no entanto, precisa ser analisado com base na documentação disponível e nas condições específicas do contrato de trabalho.

Quem tem direito a revisar a rescisão contratual?

A revisão da rescisão contratual pode ser feita sempre que o trabalhador tiver dúvidas sobre os valores pagos no momento da demissão. 

Em muitas situações, erros de cálculo ou parcelas não incluídas podem gerar diferenças a receber.

Empregado CLT demitido sem justa causa

O empregado CLT demitido sem justa causa é quem mais costuma revisar a rescisão.

 Nesses casos, a empresa deve pagar diversas verbas rescisórias, como saldo de salário, aviso prévio, férias, 13º proporcional e a multa de 40% do FGTS.

Empregado que pediu demissão mas suspeita de erro

Mesmo quando o trabalhador pede demissão, ainda é possível revisar os valores pagos. 

Isso acontece quando existe dúvida sobre férias proporcionais, saldo de salário ou outros valores que deveriam constar na rescisão.

Trabalhador com horas extras ou adicionais não pagos

Também é comum a revisão quando o trabalhador realizava horas extras, adicional noturno, insalubridade ou outros adicionais que podem influenciar no cálculo da rescisão. 

Esses valores podem gerar reflexos em férias, 13º salário e FGTS.

Situações em que pode ser mais difícil revisar

Existem situações em que a análise pode ser mais complexa, como por exemplo:

  • ausência de documentos trabalhistas
  • falta de registros de jornada
  • pagamentos feitos sem comprovação
  • dificuldade para comprovar horas extras
  • vínculo de trabalho informal

Mesmo nesses casos, a possibilidade de revisão não está descartada. 

A viabilidade depende da análise dos documentos disponíveis e das provas que possam demonstrar como ocorreu a relação de trabalho.

Quando a rescisão contratual pode estar errada na prática

Justa Causa Indevida

A rescisão contratual pode estar incorreta quando valores importantes não entram no cálculo ou são pagos de forma incompleta. Isso acontece com mais frequência quando existem horas extras, adicionais ou falhas nos registros da jornada de trabalho.

Erros mais comuns no cálculo da rescisão

Alguns erros aparecem com frequência na prática:

  1. horas extras não incluídas no cálculo
  2. banco de horas irregular
  3. férias calculadas incorretamente
  4. FGTS depositado parcialmente
  5. ausência de adicional noturno
  6. erro no aviso prévio
  7. desconto indevido na rescisão

Esses erros podem reduzir o valor final recebido pelo trabalhador. 

Quando parcelas como horas extras ou adicionais não entram no cálculo, isso pode afetar férias, 13º salário e também o valor do FGTS.

Como verificar se os valores da rescisão estão corretos?

A conferência da rescisão começa pela análise dos documentos do contrato de trabalho. Comparar o termo de rescisão com holerites e extrato do FGTS ajuda a identificar possíveis diferenças de cálculo.

Conferência do termo de rescisão (TRCT)

O TRCT (Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho) apresenta os valores pagos na demissão, como saldo de salário, férias, 13º proporcional e aviso prévio.

Análise do extrato do FGTS

O extrato do FGTS permite verificar se todos os depósitos foram feitos e se a multa de 40% foi calculada corretamente.

Verificação das horas extras e adicionais

Se existiam horas extras ou adicionais, é importante conferir se esses valores foram considerados no cálculo da rescisão.

Conferência de férias e 13º proporcional

Também é necessário confirmar se férias e 13º salário proporcional foram incluídos corretamente.

Item O que verificar Onde aparece
Saldo de salário dias trabalhados TRCT
Férias vencidas e proporcionais TRCT
FGTS depósitos + multa 40% extrato FGTS
Horas extras reflexos no cálculo holerite

A comparação desses documentos costuma revelar se os valores pagos na rescisão estão corretos.

Quais documentos ajudam a comprovar erro na rescisão?

Para verificar se houve erro na rescisão, o primeiro passo é reunir os documentos do contrato de trabalho. Esses registros ajudam a comparar o que foi pago com o que deveria ter sido calculado.

Documentos trabalhistas principais

  • carteira de trabalho – mostra a data de admissão, função e histórico do vínculo.
  • contrato de trabalho – define condições do emprego e possíveis regras de jornada.
  • holerites – comprovam salários, adicionais e descontos feitos durante o contrato.
  • registro de ponto – indica horários trabalhados e possíveis horas extras.
  • termo de rescisão – apresenta os valores pagos na demissão.
  • extrato do FGTS – confirma se os depósitos foram feitos corretamente.

Esses documentos permitem comparar valores e identificar possíveis diferenças no cálculo da rescisão.

Provas digitais que podem ajudar

Além dos documentos formais, algumas provas digitais também podem ajudar:

  • mensagens fora do horário de trabalho
  • e-mails de trabalho
  • registros de jornada ou aplicativos de ponto

Esses registros podem indicar a rotina de trabalho e ajudar a demonstrar horas extras ou atividades fora do expediente.

Testemunhas e outros tipos de prova

Em alguns casos, colegas de trabalho ou outras testemunhas podem confirmar como era a jornada ou as condições de trabalho. 

Esses relatos podem complementar os documentos e ajudar na análise da situação.

Quais direitos podem aparecer junto com a revisão da rescisão?

Ao revisar a rescisão contratual, também podem aparecer outros direitos relacionados ao período de trabalho.

Horas extras e reflexos em férias, 13º e FGTS

Horas extras não pagas podem influenciar férias, 13º salário e depósitos do FGTS.

Banco de horas irregular

Quando o banco de horas não segue as regras legais ou acordos válidos, as horas podem ser consideradas extras.

Intervalo intrajornada não concedido

A ausência ou redução do intervalo para descanso pode gerar pagamento adicional.

Acúmulo ou desvio de função

Quando o trabalhador exerce atividades além da função contratada sem ajuste salarial.

Assédio moral no trabalho

Situações de pressão excessiva ou tratamento abusivo também podem ser analisadas.

Rescisão indireta

Irregularidades graves no contrato podem levar ao encerramento do vínculo por falta do empregador.

Em muitos casos, a análise da rescisão também revela outros direitos ligados à relação de trabalho.

Quando procurar um advogado trabalhista?

Se houver dúvidas sobre os valores recebidos na demissão ou suspeita de erro nas verbas rescisórias, pode ser importante buscar orientação jurídica para analisar os documentos e entender a situação. 

O escritório Arão & Fonseca Advogados, com atuação em Direito do Trabalho em Nova Iguaçu e região, realiza a avaliação de casos envolvendo rescisão contratual e direitos do empregado CLT.

Perguntas frequentes sobre revisão de rescisão contratual

Tenho prazo para revisar minha rescisão?

Sim. A legislação trabalhista prevê prazos para discutir direitos decorrentes do contrato de trabalho. Em regra, o trabalhador pode buscar seus direitos dentro do período previsto na CLT, contado a partir do término do vínculo. 

Cada situação, porém, deve ser analisada individualmente.

Posso revisar a rescisão mesmo depois de receber?

Sim. O fato de ter recebido os valores da rescisão não impede a análise posterior. Se houver erro no cálculo ou parcelas não incluídas, é possível verificar a situação com base nos documentos do contrato.

A empresa pode se recusar a corrigir valores?

A empresa pode entender que os valores pagos estão corretos. Quando existe divergência, a situação pode ser analisada e, se necessário, discutida na Justiça do Trabalho.

Posso entrar com ação mesmo sem registro de ponto?

Em alguns casos, sim. Mesmo sem registro formal de ponto, outras provas podem ajudar a demonstrar a jornada de trabalho, como documentos, mensagens ou testemunhas.

Mensagens de WhatsApp servem como prova?

Dependendo do caso, mensagens de WhatsApp, e-mails ou outros registros digitais podem ser utilizados como elementos de prova para demonstrar horários de trabalho ou atividades realizadas.

Quanto tempo depois da demissão posso processar a empresa?

A legislação estabelece prazos para discutir direitos trabalhistas após o fim do contrato. Por isso, é importante buscar orientação o quanto antes para avaliar a situação.

Vale a pena revisar a rescisão contratual?

A revisão pode ajudar a esclarecer se os valores pagos estão de acordo com a legislação e com a realidade do contrato de trabalho.

O que acontece se houver acordo trabalhista?

Quando há acordo, as partes podem definir o pagamento de determinados valores para encerrar o processo. Esse acordo normalmente precisa ser homologado pela Justiça do Trabalho.

Drº Cipriano S. Fonseca

Drº Cipriano S. Fonseca

Dr. Cipriano S. da Fonseca – Sócio fundador da Arão & Fonseca Advogados. Especialista em Direito do Trabalho.

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